Arquivo mensais:novembro 2015

Estamos conscientes neste dia 20/11?

 

Por Bruno Bortolucci Baghim

Hoje, 20/11, o Brasil celebra a Consciência Negra, data em que, no ano de 1695, Zumbi dos Palmares foi morto por tropas coloniais após anos de resistência e luta contra a escravidão. E passados 320 anos, não há muito a comemorar. 

A escravidão perdurou até 1888, e ainda que formalmente abolida, seus efeitos continuam presentes na sociedade brasileira. 

 

Os negros formam a maioria da população carcerária, além de serem alvo preferencial das abordagens policiais. 

 

Dados oficiais indicam que o jovem negro tem duas vezes e meia mais chances de ser assassinado do que um jovem branco. 

 

O número de mortes por abortos é maior entre as mulheres negras. 

 

No mercado de trabalho os negros ainda encontram mais dificuldades do que os brancos. 

 

Nas universidades os negros são minoria, e as políticas de cotas raciais para ingresso no ensino público superior continuam sob forte ataque de setores da sociedade, adeptos de uma cínica meritocracia. 

 

Redes sociais são diariamente utilizadas para proliferação de ofensas contra artistas, jornalistas e atletas negros. 

Câmaras Municipais discutem a criação do feriado da “Consciência Branca”. 

 

Aos que insistem que não há racismo no “multicolorido” Brasil, ou que invocam o curioso argumento do racismo “às avessas” e dos “transtornos” de ser branco, fica sempre o convite à reflexão.

 

Bruno Bortolucci Baghim é Defensor Público do Estado em São Paulo, membro do Núcleo de Combate à Discriminação, Racismo e Preconceito da Defensoria Pública, especialista em Ciências Criminais e Direito Constitucional, e idealizador do Pessoal dos Direitos Humanos