O tempo dos homens pequenos

Por Bruno Bortolucci Baghim

 

É tempo de homens pequenos.
Homens e mulheres diminutos.

As lendas de outrora e as ficções contemporâneas sempre nos mostraram mundos divididos. De um lado, os heróis, belos e perfeitos em suas virtudes e capacidades. De outro, vilões ardilosos, cruéis e insensíveis. Tanto estes como aqueles, igualmente poderosos, capazes de vencer a luta, neste eterno embate do bem contra o mal, em que detalhes definem os resultados.

Mas algo sempre diferenciou os heróis daqueles que são sua antítese: a nobreza. Não se imagina, em nenhuma cultura, em nenhum tempo da História humana, o herói indigno. O herói hipócrita ou cruel. O arquétipo do herói nos remete a alguém virtuoso, que não nutre ódio por seu inimigo. Ele não gosta da luta, não gosta de atacar ou ferir. O faz por dever.

Ele enfrenta o vilão, mas o respeita. O herói tem empatia: não comemora o sofrimento que se abate contra seu antagonista. Não ri ou desdenha de tragédias, e não menospreza inocentes e suas vidas.

É tempo de pretensos heróis.

Tempo de homens pequenos.

Homens e mulheres diminutos.

Tempo de uma pequenez evidente, mas não enxergada. Constrangedora, mas exaltada.

Tempo em que pequenos se vêem grandes. Cegos em sua pequenez.

Uma pequenez de caráter. Pequenez d’alma.

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 Bruno Bortolucci Baghim é defensor público estadual e professor de Direito. Fundador do Pessoal dos Direitos Humanos

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